Estudos clínicos mostram que até 44% dos pacientes relatam náusea, além de uma queda significativa no apetite.
Pesquisas analisadas pela Harvard Medical School indicam que muitos usuários não sentem apenas menos fome, mas menos prazer ao comer.
Dados da National Restaurant Association mostram que, nos EUA, o crescimento do ticket médio desacelerou justamente nas regiões onde o uso de GLP-1 se popularizou, enquanto cresceu a procura por pratos leves e consumo individual.
(Imagem: Reprodução)
Na prática, a comida perde o papel de recompensa, afeto ou ritual social. Vira algo funcional, quase burocrático. Assim, jantares longos passam a parecer cansativos, pedidos em restaurantes ficam menores e eventos sociais que giram em torno da comida vão perdendo graça.
Menos pausas, mais entrega
No trabalho, o Ozempic encaixa direitinho na lógica da produtividade.Menos pausas para comer, menos distrações, mais foco. Em uma cultura que já romantiza performance, o corpo “sob controle” vira quase um diferencial competitivo.
Uma pesquisa do McKinsey Health Institute mostrou que empresas têm investido cada vez mais em soluções de wellness voltadas à performance, não necessariamente ao cuidado integral.
Em paralelo, ganha força a ideia de que autocontrole corporal é sinônimo de disciplina, comprometimento e sucesso.
Para alguns usuários, isso se traduz em menos almoços coletivos, menos conversas informais e uma rotina mais solitária — ainda que vendida (ou percebida) como otimizada.
Uma pesquisa publicada no Journal of Eating Disorders (2024) mostrou que usuários de GLP-1 sem acompanhamento psicológico relataram medo intenso de interromper o medicamento, ansiedade com qualquer variação de peso e rigidez alimentar em encontros e situações íntimas.
Jantares românticos, pedir delivery, dividir sobremesa… Tudo passa pelo filtro do cálculo.